O ímpio com a boca destrói o próximo, mas os justos são libertados pelo conhecimento. Provérbios 11:9








Data Publicação: 26/10/2017 21:14:04
Entrevista com o Rabino sefardita anussita Maorel Melo

Os judeus ainda são um mistério para o Brasil e mundo, alvo de muitas especulações e ao mesmo tempo, alvo de grande curiosidade entre cristãos e não cristãos.

Além disto, tanto para judeus quanto para muitos cristãos, há um entendimento que fatos que ocorrem com Israel e os Judeus, estão diretamente ligados com as profecias bíblicas.

Diante disto, convidei o Rabino Maorel Melo para falar sobre religião e política.

Então, sem mais delongas...

 

1) Quem é o Maorel Melo?

Sou um judeu-anussita que busco "ressuscitar" o que penso ser o Judaísmo Nordestino, herança histórica, religiosa e cultural deixada por nossos pais durante a jornada deles no período do Brasil Colonial. Sou Presidente da Associação Judaica dos Judeus de Caruaru e nomeado como Rabino para os Judeus de Caruaru.

 

2) Qual a origem da sua família?

Minha família é de origem católica portuguesa, é assim que eles se auto aperceberam.

Somos nordestinos de muitas gerações (5 gerações) cujos ancestrais se firmaram no Nordeste Brasileiro a fim de explorar as riquezas do Novo Mundo e fugir das perseguições, mas, que perseguições?

Investigando melhor os detalhes genealógicos de meus ancestrais, mais propriamente de meu avô, descobri que o sobrenome, os costumes culturais e até mesmo certos aspectos de sua prática religiosa, que para ele e seus antepassados eram práticas genuinamente católicas, na verdade tudo isso era resquícios inconscientes de um Judaísmo velado, escondido dos olhos de inquisidores e vizinhos mal intencionados.

E este esforço de viver um Judaísmo que deveria a todo custo ser escondido, mas não esquecido, com o passar do tempo deu à luz a Cultura Nordestina, cuja prática religiosa católica hoje em dia, em sua maioria de detalhes não é reconhecida pela Igreja. Hoje em dia o Catolicismo Nordestino é considerado como: Crendice Popular, justamente porque se parece com Cristianismo, mas não é reconhecido e tão pouco ensinado por nenhuma instituição católica formal.

É a este "Catolicismo-Judaico" fruto desta prática religiosa amalgamada na mente e no coração dos homens e mulheres simples do Nordeste Brasileiro, que chamo de Judaísmo Nordestino, que consiste na herança natural de todo nordestino, acredito que é deste "mundo velado" que realmente surgiram nos meus antepassados, desde a Península Ibérica, mais propriamente Portugal, até o Nordeste Brasileiro, lugar de meu nascimento.

 

3) Então você é descendente de judeus que sofreram perseguição por cristãos? Tenho visto católicos e alguns evangélicos dizerem que a Inquisição não perseguiu Judeus, procede?

Segundo o historiador português, Alexandre Herculano, de fato, a Inquisição não foi criada para perseguir judeus, ela foi criada para inquirir dos católicos se eram católicos genuínos ou não, isso porque por volta do século XII teria surgido em algum lugar da Europa uma conspiração que visava depor do poder os administradores, por assim dizer, corruptos do seio da Igreja e estabelecer outros representantes no lugar, representantes estes tidos pelos conspiradores como honestos e dignos de ocuparem tais cargos de fato.

O plano foi descoberto antes e deu-se à luz o Tribunal da Santa Inquisição, a fim de descobrir os agitadores.

Mais tarde, séculos mais tarde (século XV) surgiram na Península Ibérica dois reis extremamente religiosos, o Rei Fernão do Reino de Aragão e a Rainha Isabel do Reino de Castela, o zelo e amor religioso de ambos levara-os a combater ferozmente os mouros, que até aquele período dominavam aquela terra há séculos.

Eles conseguiram expulsar os mouros do país e instituíram que todas as pessoas que não fossem católicas, deveriam deixar o país ou se converterem ao catolicismo, muitos judeus não puderam sair do país e preferiram então a conversão.

Com o passar do tempo, estes judeus "conversos" foram denunciados como praticantes do Judaísmo às escondidas.

Diante disto, agora sim temos um problema com a Inquisição...

A Inquisição como já afirmei, não perseguia judeus e ou adeptos de qualquer outra religião.

Ela perseguia o que podemos chamar de: "falsos cristãos" ou "falsos católicos". Estes judeus que se converteram ao Catolicismo apenas para permanecerem no país, mas que secretamente nunca pararam de praticar o Judaísmo, agora, entraram para este rol de "falsos cristãos", pois, se converteram formalmente a uma religião enquanto às escondidas praticavam outra.

Por isso que do século XV em diante o Tribunal da Santa Inquisição passou a perseguir os judeus, aos "judeus-cristãos", chamados na Espanha de marranos, em Portugal de cristãos-novos e em hebraico de: judeus-anussitas.

Formalmente, a Santa Inquisição perseguiu a falsos cristãos... a população comum, no entanto, por causa da teologia cristã que sempre teve por objetivo usurpar o lugar próprio do judeu na Bíblia e este tipo de discurso ao longo dos anos acabou por estabelecer uma cultura de ódio por parte dos populares.

Mas, formalmente não era este o papel da Inquisição, este tipo de problema era fomentado pelos reis e pelos religiosos populares.

 

4) E se os judeus não aceitassem ser "cristãos", você crê que eles não seriam perseguidos pela Inquisição?

Não, seriam expulsos pela coroa espanhola.


5) Como foi a recepção dos Judeus no Brasil? Nos EUA, os judeus foram bem recebidos e até hoje, depois de Israel, é a maior comunidade judaica do mundo.

Em Pernambuco se instalou, no período colonial, a Primeira Sinagoga das Américas, a Kahal Tzur Israel, hoje em dia pode ser visitada por qualquer um pelo preço de um ingresso.

Quando pensamos em judeus sendo aceitos em países cristãos, geralmente somos tentados a pensar sobre este assunto de forma poética, tipo:

"...Os católicos odiavam os judeus e os protestantes os amavam, vejam como exemplo a situação dos judeus no Brasil e nos EUA, do ponto de vista histórico..." .

Estas afirmações estão longe de refletirem a verdade dos fatos ocorridos naquele período, seja em toda a Europa, seja pelos países recém-nascidos do Novo Mundo.

O que houve de fato foram cristãos católicos que acolheram judeus e cristãos católicos que rejeitaram judeus, protestantes que acolheram judeus e protestantes que rejeitaram judeus.

A expulsão dos judeus do Brasil após a retomada do país, das mãos dos holandeses tem mais haver com proteger-se de uma nova investida do inimigo, do que com a rejeição compulsória do Judaísmo em solo brasileiro por parte dos portugueses.

A aceitação aparente dos judeus, em solo americano tem mais haver com o aumento de força braçal de trabalho em sistema semiescravo, do que com aceitação do Judaísmo como uma expressão religiosa alternativa, e ainda assim, mais tarde os EUA se tornaria um país símbolo da Liberdade, em todos os sentidos, pelo menos é o que querem que acreditemos.

A liberdade religiosa na América se consolidou por volta de um século mais tarde após a chegada dos judeus à América, assim como da chegada de outras minorias religiosas. Em sua maioria, estas minorias eram braços dissidentes do próprio protestantismo, cujas disputas pela "Verdade" renderam muito derramamento de sangue entre eles mesmos (ver o Livro dos Mártires do John Fox), naturalmente, os judeus acabaram sendo beneficiados com esta política, mas isso não tem haver com uma aceitação aos judeus por parte dos americanos, antes tem haver com um "cessar fogo" denominacional entre eles.

A meu ver, as atrocidades católicas são melhores documentadas e evidenciadas, não porque promoveram mais terror do que os protestantes, mas por serem historicamente mais honestos do que os protestantes, o que os deixa em um debate em desvantagem, pois, os católicos terão os historiadores católicos e protestantes registrando os seus erros, enquanto que sobre o protestantismo tem seus erros, em sua maioria omitidos pelos seus historiadores, sendo revelados apenas por historiadores católicos e ou ateus, o que soa ao ouvido do protestante como uma espécie de calúnia, e, portanto, não merece atenção.

Mas ambos, cada um a seu turno, derramaram muito sangue inocente.

Veja por exemplo: Os Judeus e suas mentiras, obra de Martinho Lutero, que incentiva a matar, roubar, estuprar e a incendiar Sinagogas, sob o pretexto de servir a Deus erradicando o mal judeu da Alemanha.

Este texto foi usado por Hitler, e mais tarde inspiraria o Terror Nazista que dizimou milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial, e antes deste período, ainda no tempo de Lutero, milhares de judeus pereceram sob as afirmações deste mesmo texto.

Concluindo: Os judeus só são bem-vindos no EUA, desde que não falem da Torá para as pessoas, desde que não repudiem o homossexualismo, a prostituição, o roubo, a corrupção, ou seja, o judeu não é aceito no EUA, ele é tolerado desde que não cause problemas.

Aqui no Brasil há uma aceitação, neste sentido, bem maior, pois aqui os judeus podem dialogar sobre sua fé livremente sem censura, salvo o incômodo do preconceito popular, que ultimamente tem diminuído bastante. O Brasil ainda é um bom lugar para um judeu viver e praticar a sua Religião, muito melhor, em sentido religioso do que a América.

 

6) Uma pergunta que não quer calar... Jesus é o Messias Judeu prometido a Abraão, Isaque e Jacó e aos profetas da Tanach?

Esta é uma questão muito simples para os cristãos, tão simples que para eles é difícil imaginar porque os judeus criam tantos problemas e promove tanta confusão sobre este assunto que à primeira vista, parece tão claro!

No Judaísmo, Mashiach - palavra hebraica que foi traduzido para o grego como "Cristos", daí Cristo - não é um sobrenome de alguém, é um conceito que se refere a uma emanação Divina, é o conceito mais próximo de Deus que se pode vislumbrar.

Também é entendido como um Espírito, uma extensão do próprio Deus, salvo as exceções, é mais ou menos assim que os judeus no geral percebem ao Mashiach, que no futuro encarnará, segundo as Profecias em um homem de carne e osso, um Tzadik, um judeu justo e santo da linhagem do Rei Davi.

Desde que este conceito ou Espírito foi apresentado nas Escrituras Sagradas e estudado sistematicamente pelos rabinos - desde o Exílio da Babilônia - nunca mais parou de surgir "messias", alegando ser o Mashiach de fato e de direito.

Depois de mais de 2.000 anos de discussão sem se chegar a um consenso comum, uma porcentagem considerável dos judeus modernos resolveram entender que o Mashiach só se manifestará no futuro, um futuro que, ao que parece, é melhor que, igual ao Messias, nunca chegue de fato.

Porém, grupos judaicos independentes da massa que pretende representar o Judaísmo Formal de nossos dias, vão eleger cada um o seu Messias. Assim que para este grupo, determinado Rabino é tido como Messias, enquanto critica o Rabino eleito como Messias pelo outro grupo, e desta forma, hoje em dia temos algumas dezenas de messias que são aceitos como verdadeiros, cada um em seu respectivo grupo e, consequentemente tidos como falsos pelos demais.

Por exemplo: Para os judeus-Chabad, o Rabino Menachem Mendel Schnerson, o Rebe de Lubavitch, é o Mashiach verdadeiro, enquanto que para estes mesmos judeus os demais messias dos demais grupos judaicos são inevitavelmente falsos. O mesmo acontece com os judeus-Breslev, para eles, o Rabino Nahman de Breslev é o Mashiach, desqualificando os demais. Os judeus-Domê na Grécia, elegeram a Sabatai-Tzivi como Mashiach e naturalmente entendem como falsos messias todos os outros, com os judeus que acreditam no Novo Testamento como palavra de Deus ocorrem o mesmo, para nós, Rabi Yeshua é o Mashiach e, consequentemente, todos os demais "messias" apresentados pelos demais grupos são falsos.

Todos os judeus concordam que o Mashiach virá e se estabelecerá como Rei de Israel, o que não concordamos é: Quem encarnará, ou encarnou o Espírito de Mashiach?

Assim que: Rabi Yeshua HaNotzeri, é o Mashiach de fato, para aqueles que creem nele, para os demais judeus não. O que todos concordam, mesmo contra a vontade é que, independente do que digam, Rabi Yeshua HaNotzeri é a personalidade judaica mais famosa do planeta... Com tanta popularidade é impossível que ele não seja o Mashiach.

 

7) Diante disto, parece haver duas ideias antagônicas: De um lado Yeshua é o Mashiac, do outro um cristianismo com histórico de antissemitismo, tanto para católicos quanto para evangélicos. 

Para um judeu isto se torna confuso, afinal, Yeshua não é católico, evangélico ou cristão; ele é um judeu! Como eles poderiam entender essa dissonância de ideias? Afinal, Yeshua ama os Judeus? Ele ama Jerusalém e Israel?

Tanto Judaísmo quanto Cristianismo são nomenclaturas adotadas para "traduzir" ou intitular a crença do judeu e do cristão. Nem Judaísmo e nem Cristianismo sujem, como o conhecemos hoje em dia, na Bíblia.

Anteriormente, acredito que até o século IV da Era Comum, a religião dos judeus tinha mais um caráter de Constituição de um país do que de Religião de fato, foi somente após a institucionalização do Cristianismo no Concílio de Nicéia que os rabinos, em resposta a este posicionamento institucional dos cristãos, é que buscaram conceber uma versão hebraica" da Religião Cristã, e assim nasceu, de forma institucional a Religião Judaica, ou seja, o Judaísmo descrito nas páginas das Escrituras Sagradas era um Judaísmo Nacional, dependente do território geográfico da Terra Santa para se configurar, fora deste solo Sagrado, somos provocados a nos adaptar, e não raro dar à luz a um Judaísmo, em sentido prático, tão distante do Judaísmo bíblico, que chega até às vezes a parecer outra religião. No caso do Cristianismo, a situação é bem mais dramática neste sentido...

Rabi Yeshua HaNotzeri é um "produto" do Judaísmo Nacional, lá na Judeia do século I, portanto, ele e os judeus de sua época, se viam mais como cidadãos que discutiam sobre a Constituição do país, mais do que como religiosos que buscavam instituir a Verdadeira religião, no sentido que entendemos hoje em dia.

Aceitá-lo naquela época era aceitar uma autoridade acima de toda a política, era tomar um partido, se isto fosse hoje em dia, seria como: Os judeus, líderes oficiais da nação daquela época seriam o "Partido Judaico de Esquerda" e Rabi Yeshua então surge como uma espécie de "Bolsonaro Hebreu" lutando contra a hipocrisia e corrupção de seu tempo.

Quando lemos as páginas do Novo Testamento, somos forçados pela cultura cristã que nos cerca a entender aqueles textos como religiosos, e Jesus como um líder religioso, mas essa não era, historicamente falando a sua pretensão, a Bíblia como um todo, não fala de Religião, mas de um Governo que virá do Céu e será implantado na Terra, um Governo Santo e Justo, onde os habitantes do mundo se sentiram seguro e poderão viver em paz e harmonia uns com os outros.

O Judaísmo ainda mantém este tipo de discurso político, ainda que velado sob uma linguagem religiosa, a fim de se fazer entender às demais pessoas não judias que nos rodeiam; já o Cristianismo, este tem uma linguagem acentuadamente religiosa, mesmo que, em tempos onde o Cristianismo prevaleceu sobre um país, ele naturalmente se manifestou de forma política, mas nós vimos que isso não deu muito certo, pois, se trata de uma ideia religiosa demais para se manifestar de forma política.

Para mim, acredito que a confusão sobre a figura de Rabi Yeshua se encontra justamente no impulso quase que inevitável dos cristãos e judeus de endeusá-lo, os cristãos assim o fazem porque acreditam nisso, e os judeus assim o fazem porque desta forma encontram uma desculpa plausível aos olhos do monoteísmo judaico de criticá-lo.

A confusão neste caso se dissiparia facilmente, se ambos; cristãos e judeus se rendessem ao texto do Novo Testamento, lendo-o de forma honesta e imparcial, com facilidade variam que o texto não descreve o perfil de um "Deus encarnado", mas antes, registra lá o perfil do maior ser humano que já existiu sobre a terra e, que em um curto período de tempo, influenciou o mundo com sua personalidade de forma tão profunda, que se tornou impossível pensar em: Amor, Paz, Deus, Israel, Verdade... sem lembrar dele.

 

8) De fato, este é assunto complexo e geralmente gera discussões tanto entre cristãos, quanto entre judeus messiânicos, e ainda tem um agravante, as inúmeras versões de bíblia, com diferentes traduções que tendem levar o leitor a uma má interpretação de determinados assuntos.

Há alguns nomes de judeus messiânicos importantes como Joseph Shulam e David Stern em Israel e Matheus Zandona no Brasil, que defendem Yeshua como D’us, seguindo a linha do cristianismo. Então você não segue essa linha dos judeus messiânicos?

Não, sigo a interpretação tradicional do Judaísmo no que diz respeito ao conceito de Mashiach, apenas acredito que tal conceito encarna perfeitamente em Rabi Yeshua HaNotzeri.

 

9) No trato político, é notório que você segue a linha conservadora, do ponto de vista midiático, você é um judeu direita.

Nos EUA, de acordo com o Haaretz, 70% da comunidade judaica apoiou Hillary Clinton, cujo governo é espelho de Obama.

Obama apoiou abertamente o islamismo, a Palestina, o aborto e o homossexualismo e suas segmentações LGBT; predominantemente o governo dele fez uma política anti-semita e anti-Israel, fortalecendo os inimigos de Israel e colocando os judeus em perigo.

No Brasil os judeus de direita, tendem a não aparecem muito nas discussões ou até mesmo na mídia para defender movimentos conservadores.

Como você vê a política judaica no Brasil e mundo? Qual a relação dela com a fé judaica?

De acordo com o Judaísmo todos nós, os judeus, estamos vivendo na Galut, na Diáspora; o Eterno, através da Torá nos prometeu levar-nos de volta a Terra Santa, a Terra de nossos Pais, pois ela é o nosso País de fato e de direito, somente lá é que poderemos viver como judeus de forma plena, em qualquer outro lugar que nos encontremos, espalhados como estamos pelos países do mundo a fora, somos nestes países estrangeiros e peregrinos, mesmo tendo nascido neles, mesmo estando nossa presença em determinados países se feito notória há séculos, mesmo assim nos consideramos como estrangeiros e peregrinos e um dia voltaremos para casa, se Deus quiser, ainda em nossos dias.

Tendo isso em mente, o judeu busca sobreviver a todo custo, busca viver bem com os seus vizinhos, com os não judeus a fim de não atrair a atenção deles para si de forma negativa, por isso que na maioria das vezes os judeus não expõem publicamente as suas opiniões sobre assuntos polêmicos, porque de toda maneira somos a minoria.

Em matéria de política, é óbvio que a moral judaica que nos é passada de geração a geração através do estudo da Torá nos configura como, politicamente falando, de Direita, o problema é que, nos Estados Unidos, por exemplo, a maioria era de Esquerda, então, naturalmente a fim de não atrair para si a censura popular, os judeus americanos preferiram se manifestar a favor de uma política de Esquerda, mesmo isso ferindo a nossa moral, a aparente vantagem disso é que num governo de Esquerda, você tem uma política liberal, anarquista, onde tudo é válido e nada deve ser censurado, tudo é permitido.

Por mais estranho que pareça, o Judaísmo, para uma nação cristã, é algo estranho, então, em um governo de Esquerda, esta "estranheza" própria do Judaísmo passa a ser algo normal em um governo de Esquerda, contudo, em um cenário político sem tensão e nem risco de censura, o judeu sempre se posicionará como de Direita.

Aqui no Brasil, a maioria dos judeus residentes é da linha ashkenazim (judeus alemães), as comunidades sefaraditas (judeus espanhóis e portugueses) são a minoria, boa parte destes ashkenazim são estrangeiros e filhos de estrangeiros, e naturalmente, carregam consigo a "receita de vida judaica europeia" que consiste em não se envolver em polêmicas, e é por este motivo que mesmo aqui no Brasil você não vê muitos judeus se manifestando a favor de uma política de Direita, pois, mesmo que seja de acordo com o Judaísmo o mais adequado, é, contudo uma posição ainda muito polêmica, e a comunidade judaica brasileira como um todo teme as represálias que podem advir desta postura, mas isto está mudando...

Bolsonaro esteve na Hebraica do Rio de Janeiro, e apresentou o seu plano de governo, os judeus cariocas vibraram com as possibilidades apresentadas, e isto é incrível, pois, Bolsonaro conseguiu fazer a Comunidade Judaica do Rio de Janeiro se sentir segura o bastante para se manifestarem abertamente aos olhos da grande mídia e a favor de um governo de extrema Direita!

O Brasil e o mundo estão passando por uma drástica mudança política, e os judeus do mundo inteiro buscam viver em paz e harmonia com os seus vizinhos não judeus, contudo, nós sempre apoiaremos o que é certo, o que é verdadeiro, o que é honesto e Jair Messias Bolsonaro tem se tornado um ícone que representa estes valores, e nós não iremos perder a chance de termos um país melhor para os judeus e para todos os cidadãos brasileiros.

Por isso que o meu posicionamento, e acredito que é o posicionamento de milhares de judeus brasileiros é: Bolsonaro para Presidente em 2018.

 

Finalizando:

Agradeço o privilégio de sua entrevista, creio que muitos aprenderão e refletirão sobre as mentiras que envolvem a comunidade judaica e deixo um espaço ao Rabino falar o que quiser.

 

O prazer foi meu de ter a oportunidade de expressar o meu ponto de vista sobre as questões evocadas por você. Espero que as respostas sirvam sim para algum propósito positivo, e acredito que o diálogo é o melhor caminho para a compreensão do outro, não acredito que devemos mudar o "diferente" em "igual", acredito que o principal papel do diálogo é ensinar a boa convivência.

Os judeus e os cristãos têm muito a contribuir juntos para tornar o mundo um lugar melhor para todos, e é maior o que nos une do que o que nos separa.

Muito obrigado pelo espaço.

Shalom UL'Hitraot!!!

 

Silas Anastácio
Evangelista e Expositor Bíblico
JERUSALÉM ETERNA